“Famílias estão sufocadas pelas dívidas”, alerta Izalci Lucas sobre endividamento recorde no Brasil

Senador criticou o custo do crédito e os juros abusivos que empurram os brasileiros para um ciclo interminável de inadimplência

O senador Izalci Lucas (PL-DF) subiu à tribuna do Senado Federal nesta segunda-feira (15) para alertar sobre o endividamento recorde da população brasileira. Para ele, o problema ultrapassou limites pontuais e se transformou em uma crise estrutural que atinge o coração das famílias. Izalci apresentou dados alarmantes, revelando que mais de 81% dos lares brasileiros possuem algum tipo de dívida e que o contingente de negativados no país já ultrapassa a marca de 83 milhões de pessoas.

“Nenhuma família consegue prosperar dessa forma. Nenhum trabalhador consegue construir um futuro quando uma parcela cada vez maior da sua renda é consumida pelos juros. Nenhum país consegue crescer de forma sustentável quando as suas famílias estão sufocadas pelas dívidas”, afirmou Izalci.

O senador enfatizou que o peso dessa realidade recai, de forma desproporcional, sobre as classes menos favorecidas. Segundo os indicadores apresentados por ele, o endividamento alcança quase 85% das famílias que sobrevivem com renda de até três salários mínimos, enquanto a taxa de inadimplência nessa faixa se aproxima de 40%. Para Izalci, o cenário demonstra que a crise financeira tem atingido diretamente os trabalhadores mais humildes e os aposentados, que muitas vezes precisam recorrer a empréstimos para despesas básicas, como a compra de alimentos e remédios.

Izalci rebateu as narrativas econômicas apresentadas pelo governo federal, classificando os números oficiais sobre a redução do desemprego como “fantasiosos”. O senador apontou que a gestão atual contabiliza beneficiários de auxílios sociais como se estivessem formalmente empregados, mascarando a real vulnerabilidade da população. “Esse valor irrisório e a dependência da população ao governo não os tiram da pobreza”, criticou, defendendo que a solução para a crise exige reformas estruturais e transparência, e não maquiagem estatística.

Para o senador do Distrito Federal, o cerne do problema nacional reside nas taxas abusivas cobradas pelo sistema financeiro, com destaque para o crédito rotativo do cartão de crédito, cujos juros chegam a ultrapassar 400% ao ano. “O grande problema do Brasil não é o tamanho da dívida. O grande problema do Brasil é o custo da dívida, é o preço do dinheiro, é o crédito caro, é o juro excessivo”, destacou Izalci, classificando as ferramentas de crédito atuais como verdadeiras armadilhas para o orçamento doméstico.

Ao encerrar seu pronunciamento, o senador fez um apelo para que o Congresso Nacional e as autoridades enfrentem o tema com a gravidade que o caso requer, lembrando que o desequilíbrio financeiro destrói a saúde mental, desfaz o sonho do empreendedorismo e compromete o futuro da nação. “Um país que permite que milhões de cidadãos vivam sob o peso permanente das dívidas é um país que precisa rever as suas prioridades”, avaliou.