“Quebraram o BRB”, denuncia Izalci Lucas ao apontar rombo bilionário e falta de transparência

Senador criticou a interrupção da publicidade dos dados financeiros do banco, o que para ele, indica que tem “coisa errada”

O senador Izalci Lucas (PL-DF) subiu o tom das críticas à gestão do Governo do Distrito Federal (GDF), focando na crise sem precedentes no Banco de Brasília (BRB). Em declaração feita no Plenário do Senado Federal nesta segunda-feira (23), o senador denunciou o rombo bilionário na instituição, fruto de investimentos realizados sem as devidas garantias documentais.​

“Quebraram o BRB. São mais de 12 bilhões de investimentos, sem nenhum documento. As pessoas não checaram se realmente tinha alguma garantia com relação a esse investimento, e agora a gente descobre que, desde 2019, o governador já operava com o Banco Master e com a Reag, ou seja, está enrolado até o pescoço”, denunciou o senador.

Izalci revelou ter levado o caso ao Banco Central, onde questionou sobre a possível necessidade de bloqueio de bens do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e da vice-governador do DF, Celina Leão, e até de uma intervenção ou liquidação da instituição, caso os recursos necessários para equilibrar as finanças do banco não sejam aportados.

​Um dos pontos mais alarmantes citados pelo senador é a interrupção da publicidade dos dados financeiros do BRB, que há nove meses não foram disponibilizados. “A não publicação é uma declaração de que realmente tem coisa errada. Significa que, se fizer a apresentação do balanço, nós vamos perder credibilidade e investimentos”, alertou.

​O senador também criticou a aprovação na Câmara Legislativa do DF (CLDF) de leis que permitem ao GDF usar imóveis públicos como garantia para salvar o banco. Izalci destacou o caso da Serrinha, no Lago Norte, uma área de preservação ambiental fundamental para a segurança hídrica da região, que foi incluída como ativo imobiliário. ​Para Izalci, essas medidas geram insegurança jurídica e afastam investidores: “Ninguém vai investir em qualquer fundo imobiliário se não tiver garantia, se não tiver segurança jurídica”, pontuou.

​Izalci Lucas estabeleceu uma conexão direta entre a crise no BRB com a paralisia de obras e serviços na capital. Na sua avaliação, recursos de áreas sensíveis, como a saúde, podem estar sendo desviados para cobrir o déficit bancário. ​Como exemplo, citou o atraso na obra da Unidade Básica de Saúde (UBS) da Estrutural. “Usaram o dinheiro da saúde para outras coisas, talvez para cobrir esse rombo do BRB”, declarou o senador, reafirmando seu compromisso com a fiscalização rigorosa dos recursos públicos do Distrito Federal.