“Chegamos no segundo escalão”, avalia Izalci Lucas sobre prisões de envolvidos em fraudes no INSS

Polícia Federal deflagrou nova fase da Operação Sem Desconto nesta quinta-feira (18)

A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quinta-feira (18), a nova fase da Operação Sem Desconto, para combater o esquema nacional de descontos ilegais em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O Senador Izalci Lucas, membro da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga as fraudes na Previdência Social, parabenizou a PF pela iniciativa e avaliou sobre as prisões de hoje: “chegamos no segundo escalão. Agora, temos que chegar no primeiro”.

Um dos presos foi Romeu Carvalho Antunes, filho de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Aldroaldo Portal, secretário-executivo do Ministério da Previdência, também foi alvo da operação, sendo exonerado do cargo e cumprindo prisão domiciliar. Além disso, a PF cumpriu mandados de busca contra o Senador Weverton Rocha (PDT-MA) e um assessor parlamentar.

“Para mim, que participo da CPMI, não foi nenhuma surpresa”, comentou Izalci Lucas. “O que não falta na CPMI são provas de envolvimento de muitas pessoas. Ainda tem muita gente que precisa ser identificada, mas aqueles que foram presos hoje já tinham documentação na CPMI que era suficiente pra isso. E vai acontecer mais ainda, porque o roubo dos aposentados foi algo gritante e envolvendo vários grupos que desviaram mais de R$ 6 bilhões”, advertiu o Senador.

Estão sendo cumpridos 52 mandados de busca e apreensão, 16 mandados de prisão preventiva e outras medidas cautelares, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), nos estados de São Paulo, Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Minas Gerais e Maranhão, além do Distrito Federal. A ação é realizada em conjunto pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU).

Apesar de reconhecer a importância da operação, Izalci Lucas reforçou que ela vem com atraso. “Tudo isso tinha que ter sido feito há muito tempo, porque a CGU já tinha comunicado a AGU [Advocacia-Geral da União] desde março de 2024. Estamos em dezembro de 2025, terminando o ano, e agora que estão começando essas operações. Mas, antes tarde do que nunca”, pontuou.

Requerimentos

Para Izalci Lucas, a operação será uma oportunidade para a CPMI do INSS aprovar novos requerimentos para chamar mais investigados, quando retomar os trabalhos em fevereiro do próximo ano. O Senador, que foi o parlamentar com o maior número de requerimentos aprovados (mais de 400), criticou as tentativas de blindagem por parte da esquerda de familiares do Presidente da República citados nas investigações.

“Nós não conseguimos aprovar, por exemplo, o Edson Claro, que foi o sócio do ‘Careca’ que denunciou para a Polícia Federal o envolvimento do filho do Lula”, informou. “Da mesma forma, não conseguimos aprovar o requerimento de convocação do Frei Chico, irmão do Lula. Acredito que essa operação da Polícia Federal ajuda bastante no convencimento, para no início de fevereiro, aprovar a convocação dessa turma toda”, declarou.