Izalci Lucas homenageia no Senado o legado de Chico Anysio: “Ele fez o Brasil rir e se enxergar”
Para o senador, o artista transcendeu o rótulo de humorista, atuando como um verdadeiro intérprete das nuances e contradições do povo brasileiro
Em uma sessão solene especial nesta quinta-feira (16), o senador Izalci Lucas (PL-DF) celebrou um dos maiores gênios do humor e da dramaturgia do país: Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho, o eterno Chico Anysio. A celebração, realizada no Plenário do Senado Federal, marcou a passagem dos 95 anos de nascimento do artista.
Durante seu discurso, Izalci destacou que Chico Anysio transcendeu o rótulo de humorista, atuando como um verdadeiro intérprete das nuances e contradições do povo brasileiro. ”Ele fez o Brasil rir e fez o Brasil se enxergar”, elogiou. “O discurso humorístico, especialmente quando tem o tom corrosivo, possui o poder de revelar a verdade numa síntese que talvez nenhuma outra forma de comunicação possibilite. E Chico era mestre nisso”, ressaltou.
Izalci relembrou personagens icônicos que marcaram gerações, como o político Justo Veríssimo, conhecido por seu emblemático “horror a pobre”. Para o senador, o personagem servia como um espelho crítico para a própria classe política. “Nenhum político queria ser confundido com o Justo Veríssimo. Com Chico, aprendemos que deveríamos ser o oposto, para que a caricatura não se tornasse o nosso retrato”, pontuou.
O senador ressaltou a capacidade de Chico Anysio em extrair seus mais de 200 personagens da vida real — das ruas, feiras e bares do Brasil — transformando o riso em uma ferramenta de reflexão e resistência. Izalci Lucas aproveitou a homenagem para reforçar a importância da liberdade de expressão, citando que o humor “não existe onde não existe liberdade”.
Ao criticar episódios recentes de censura e tentativas de punição a humoristas por suas piadas, o senador defendeu que o riso deve ser livre para cumprir seu papel democrático. ”Sem liberdade não há humor, sem humor não há verdade e sem verdade não há democracia”, declarou Izalci, aplaudido pelos presentes, entre eles familiares do homenageado, como a viúva Malga Di Paula e os filhos do artista.
Ao encerrar a sessão, de iniciativa do senador Eduardo Girão (Novo-CE), Izalci agradeceu à família de Chico por compartilhar o talento dele com o país e destacou que o legado do artista permanece vivo, não apenas nos arquivos de televisão, mas na própria identidade cultural do Brasil e na carreira de seus filhos, que seguem os passos do pai na arte. ”O brasileiro ri porque precisa seguir em frente. E o Chico entendeu isso antes de qualquer um de nós”, finalizou.

