“O 8 de janeiro entrou para a história como uma das maiores injustiças contra cidadãos brasileiros”, afirma Izalci Lucas
Senador criticou a desproporcionalidade das penas e pediu a derrubada do veto presidencial à dosimetria em sessão do Congresso Nacional
O senador Izalci Lucas (PL-DF) subiu à tribuna do Senado nesta terça-feira (14) para discursar contra os “abusos e excessos” do Supremo Tribunal Federal (STF) aos detidos pelos atos de 8 de janeiro. Para o senador, o país vive um cenário de injustiça onde pessoas comuns, como pais de família e trabalhadores, estão sendo tratadas como criminosos perigosos sem o devido respeito à individualidade de cada conduta.
“O dia 8 de janeiro entrou para a história como o início de uma das maiores injustiças já cometidas contra cidadãos brasileiros. E eu falo isso sem medo, porque sei que muitos não tem coragem de dizer”, afirmou o senador. “O que nós estamos vendo não é justiça. É excesso. É abuso. É desproporcionalidade”, criticou.
Izalci destacou a falta de critério nas condenações, citando casos de brasileiros sentenciados a mais de 14 anos de prisão por atos que, em outros contextos de manifestação, teriam punições menores. “Se fossem manifestações da esquerda, teriam uma punição completamente diferente. Teve gente que doou R$ 500 e recebeu condenação de 14 anos pelo ‘terrivel crime’ de doar dinheiro para uma causa que acredita. Isso não é justiça, é um recado”, alertou.
O senador também questionou a seletividade das investigações, apontando que, enquanto manifestantes enfrentam penas rigorosas, as autoridades responsáveis pela segurança pública na data, incluindo o ex-ministro da Justiça na época, Flávio Dino, não foram responsabilizadas pelas falhas no plano de contenção. Enquanto isso, policiais militares perderam carreiras e salários sem o direito à ampla defesa e proporcionalidade.
Um dos pontos centrais do pronunciamento foi o apelo pela derrubada do veto do presidente Lula ao projeto que trata da dosimetria das penas, aprovado com ampla votação na Câmara dos Deputados e no Senado. Segundo o senador, a votação no Congresso Nacional, marcada para o próximo dia 30, é a oportunidade de “corrigir parcialmente as injustiças cometidas” e restabelecer o equilíbrio jurídico no país.
Ao encerrar, Izalci relatou situações humanitárias graves que testemunhou em visitas aos detidos, mencionando o caso de um coronel preso há mais de três anos cuja esposa enfrenta um câncer terminal. “A democracia se fortalece com liberdade, não com medo. O Brasil precisa voltar ao caminho do equilíbrio, da razoabilidade e da justiça de verdade”, concluiu o senador.

