Izalci Lucas critica CVM na CAE: “Alguém fechou os olhos para deixar o maior esquema do mercado financeiro acontecer”
Para o senador, houve omissão na fiscalização das operações financeiras entre o Banco Master e o BRB
O senador Izalci Lucas (PL-DF) apresentou, nesta terça-feira (24), denúncias graves na reunião da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) com o depoente, presidente interino da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), João Accioly. O senador criticou a omissão da instituição para fiscalizar as operações financeiras envolvendo o Banco Master e o Banco Regional de Brasília (BRB). “O que tenho para mim, que também sou auditor, é que alguém fechou os olhos para deixar o maior esquema do mercado financeiro acontecer”, afirmou o senador.
Izalci destacou que já existiam alertas e denúncias sobre operações suspeitas desde 2019, passando por 2022 e 2025, sem que medidas efetivas fossem tomadas. Para o senador, a continuidade dessas movimentações sugere uma falha deliberada nos mecanismos de controle. “Como a CVM não impediu a compra do Master pelo BRB?”, questionou o senador a Accioly.
Além disso, Izalci classificou o negócio como desastroso para os cofres públicos, estimando um prejuízo atual de, no mínimo, R$ 5 bilhões. O senador lembrou ainda que a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB foi apresentada como positiva, mas a realidade foi oposta. “Parecia um bom negócio, mas acabou comprando gato por lebre”.
Durante a reunião, Izalci denunciou que o conselho do BRB foi formado por indicações políticas, citando a nomeação da chefe de gabinete do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, para fiscalizar as contas do próprio governo no banco. Para o senador, a falta de rigor permitiu que se desse um “cheque em branco” à gestão, resultando em perdas bilionárias em títulos que poderiam ter tido sua compra evitada.
Após o depoimento, Izalci Lucas cobrou o envio imediato de documentos pela CVM, especialmente os que estão sob sigilo, para que a comissão possa aprofundar a investigação. O senador pretende cruzar esses dados com as investigações em curso na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS para identificar os reais beneficiários do esquema. “Precisamos apurar realmente quem está por trás de tudo isso”, finalizou.

