Izalci Lucas alerta para riscos à saúde de Bolsonaro após transferência para a Papudinha
Para o senador, a medida é mais uma prova da vingança pessoal do ministro Alexandre de Moraes
O senador Izalci Lucas (PL-DF) manifestou nesta sexta-feira (16), em entrevista aos programas UOL News e Oeste com Elas, preocupação com a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que transferiu o ex-presidente Jair Bolsonaro para a ala conhecida como “Papudinha”, no Complexo Penitenciário da Papuda.
Para Izalci, a medida ignora o delicado quadro de saúde de Bolsonaro, que já passou por nove cirurgias e enfrenta complicações crônicas, sendo o melhor caminho converter para uma prisão domiciliar. O senador ressaltou que a transferência possui um viés político e parcial, visando apenas a repercussão midiática da prisão no complexo. “Os objetivos do Moraes eram esses: ter a manchete e sua vingança pessoal”, alertou.
O senador destacou que, em vistorias técnicas realizadas anteriormente na unidade, foi constatada a inexistência de assistência médica 24 horas. Segundo Izalci, qualquer emergência exige o deslocamento para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de São Sebastião, o que inviabiliza o atendimento rápido necessário ao ex-presidente. “O médico orientou que, em determinadas crises, o socorro deve ocorrer em no máximo 15 minutos, prazo impossível de ser cumprido na logística atual da Papuda”, alertou.
Apesar de reconhecer que as instalações físicas da Papudinha são mais amplas que as da Polícia Federal, Izalci reiterou que a distância dos centros de saúde é um fator crítico. Ele lembrou o caso de Cleriston Pereira da Cunha, conhecido como Clezão, que morreu na Papuda em 2023. Para o senador, “a vida de Bolsonaro está em risco” devido à burocracia e à falta de estrutura hospitalar imediata dentro do sistema prisional do DF.
Na oportunidade, Izalci também criticou as falas que Alexandre de Moraes fez horas antes da transferência de Bolsonaro, quando participou de uma cerimônia de formatura da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) e disse “fiz o que tinha que fazer”. “Ele deveria ter aproveitado essa oportunidade para orientar e dar dicas aos alunos de como fazer um contrato de R$ 3,6 milhões por mês”, ironizou o senador.
Mobilização
Como forma de mobilização social, Izalci convocou a população para a “Grande Caminhada”, que será realizada neste domingo (18), às 10h, no Eixão (em frente ao Banco Central). O ato tem como objetivo protestar contra os abusos judiciais do STF e cobrar o respeito aos direitos fundamentais e à integridade física de Jair Bolsonaro.

