CPMI do INSS: Senador Izalci Lucas Expõe Irregularidades e Questiona Desvios de Recursos Públicos
Senador destacou valores milionários sem comprovação e questionou a falta de critérios nas notas fiscais apresentadas pelo ex-operador financeiro do Careca do INSS.
Durante a CPMI do INSS, o Senador Izalci Lucas, que é contador, questionou o técnico em contabilidade Milton Salvador de Almeida Júnior sobre pagamentos milionários realizados sem a devida documentação comprobatória. O parlamentar citou notas fiscais de R$ 3 milhões, R$ 2 milhões e R$ 4 milhões que, segundo ele, não apresentavam detalhamento suficiente para justificar os valores.
Izalci comparou a prática da empresa investigada ao rigor adotado pelo Grupo Paulo Otávio, conhecido por exigir comprovação detalhada para liberar pagamentos. Para o senador, não basta emitir uma nota fiscal genérica de “call center”: é necessário especificar quantidade de dias, volume de serviço e cálculo do valor final.
“Eu acho que o senhor já desconfiava disso há muito tempo porque, de fato, não tem como um profissional da área financeira trabalhar com um volume de recursos desse tamanho sem realmente ver que a coisa estava errada. Eu não aceitaria que fizessem pagamentos sem um critério rigoroso”. – afirmou Izalci.
Milton, por sua vez, alegou que apenas cumpria ordens do proprietário da empresa, o Careca do INSS, e que as notas fiscais eram tratadas como documentos legais. Ele declarou ter achado a situação “esquisita”, mas manteve os procedimentos porque os pagamentos eram autorizados pela direção.
O Senador também questionou o papel de Rubens Oliveira Costa, profissional que antecedeu Milton, e se havia demonstrado desconfiança nas operações. Milton respondeu que Rubens apenas cumpria ordens semelhantes e que não recordava de questionamentos mais profundos.
Izalci ainda destacou que a Prospect, empresa envolvida nas investigações, movimentou mais de R$ 20 milhões entre junho e abril, com recursos da CBPA (Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura), entidade ligada ao setor da pesca. Segundo a Polícia Federal, parte dos valores teria sido desviada para o pagamento de propina a agentes públicos.

