Izalci Lucas critica relatório da Polícia Federal sobre fraudes no INSS e cobra punição de envolvidos

Para o senador, a omissão de nomes no documento aponta blindagem política na CPMI e defende que ressarcimento aos aposentados venha dos responsáveis pelos desvios, e não do Orçamento da União

O senador Izalci Lucas (PL-DF) usou o Plenário do Senado Federal nesta quarta-feira (15) para criticar o primeiro relatório da Polícia Federal (PF) encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre as fraudes em descontos indevidos aplicados em proventos de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Embora o documento da PF peça o indiciamento de 48 pessoas, o senador alertou que o texto omitiu nomes centrais que tiveram participação direta nas irregularidades apuradas pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.

Durante seu pronunciamento, Izalci destacou que as investigações da CPMI identificaram graves distorções nos acordos de cooperação técnica firmados entre o INSS e entidades autorizadas a realizar retenções diretamente na folha de pagamento. O senador ressaltou ainda as barreiras enfrentadas para aprofundar as apurações na comissão. “Eu apresentei 324 requerimentos de quebra de sigilo, e foram aprovados 122, porque a base do governo blindou”, protestou.

Outro ponto de forte contestação do senador diz respeito à origem dos recursos utilizados para o ressarcimento das vítimas. Izalci defende que o dinheiro deveria ser cobrado judicialmente e recuperado diretamente das entidades que cometeram os desvios, em vez de onerar os cofres públicos por meio do Orçamento da União.

Embora mais de R$ 3,2 bilhões já tenham sido devolvidos aos segurados, o senador enfatizou que o problema está longe de ser resolvido. “Tem muito mais gente que ainda não recebeu. Foram 6,6 milhões de contestações. Faltou mais de R$ 1,85 bilhão para devolver”, disse Izalci, cobrando celeridade na solução dos processos que continuam pendentes.

O senador reafirmou o compromisso do seu mandato com a fiscalização rigorosa do caso, garantindo que continuará cobrando a responsabilização de todos os envolvidos e a restituição integral dos valores subtraídos das famílias brasileiras.