“Vamos obstruir até o presidente do Senado pautar o impeachment”
Em entrevista, senador Izalci reforça críticas ao STF e diz que obstrução no Congresso continuará até que oposição seja ouvida.
Em entrevista concedida na manhã desta terça-feira (6) à Rádio Auriverde, o senador Izalci Lucas (PL), líder da oposição no Congresso Nacional, afirmou que a obstrução no Plenário do Senado continua de forma “organizada e pacífica” e que os protestos seguirão até que o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, coloque em pauta o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
“O presidente do Senado tem desprezado completamente a oposição. Há mais de 15 dias tentamos uma audiência, sem sucesso. Fizemos uma obstrução civilizada, com rodízio entre senadores e deputados. Não quebramos nada, não levamos marmita, como foi feito no passado”, disse o parlamentar, em referência a protestos anteriores de senadores da base governista.
Izalci criticou a atuação do ministro Alexandre de Moraes, especialmente por ultrapassar as prerrogativas do Judiciário. “Convocar conciliação não é função do Supremo. Isso é invadir atribuições do Legislativo. Nós não podemos aceitar essa terceirização da censura”, afirmou.
Segundo o senador, a oposição está unida e mobilizada. “São mais de 200 deputados e senadores envolvidos nesta obstrução. É um movimento legítimo, que exige respeito às instituições e ao devido processo legal”, destacou.
Izalci ainda comentou a decisão de Alexandre de Moraes de permitir que o ex-presidente Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar, receba visitas da família. Para ele, o gesto não ameniza os abusos cometidos. “Essa decisão agora do Alexandre de Moraes não ameniza em nada, absolutamente nada. É óbvio que os familiares não teriam que pedir autorização. Não tem lógica isso. Nós parlamentares queremos também conversar com ele. Afinal de contas, é ex-presidente e não deveria estar sendo julgado no Supremo Tribunal Federal”, disse.
O senador ainda associou o agravamento das tensões institucionais no Brasil à falta de atuação firme do Senado Federal. “As instituições nacionais falharam em coibir esse autoritarismo judicial. Chegamos a um verdadeiro estado de exceção. A cassação de vistos de autoridades brasileiras e a taxação comercial por parte dos Estados Unidos são reflexos dessa omissão”, avaliou, ao comentar o impacto internacional das ações do STF.
Izalci também disse que o presidente Lula está adotando uma política externa ideológica. “Na prática, Lula não tem interesse em manter uma boa relação com os Estados Unidos. Ele quer vender o Brasil para a China, e isso está custando caro para o país”.
Ainda durante a entrevista, o Senador lembrou o episódio de 8 de janeiro e reafirmou sua posição: “Fico com o depoimento do ministro da Defesa: não houve golpe. Não existe golpe sem forças armadas, sem armas. Participei da CPI, e ficou comprovado que o governo federal poderia ter evitado tudo aquilo”.
Izalci concluiu: “Nós não queremos essa democracia relativa do Lula, essa democracia relativa de Alexandre de Moraes. Nós queremos uma democracia ampla, e o princípio básico da democracia é a liberdade de expressão. Se vier a censura como estão impondo pra nós, inclusive parlamentares, não é democracia”.
O senador reforçou que a mobilização da oposição segue com a ocupação da mesa diretora e a obstrução das votações enquanto não houver abertura de diálogo com o presidente do Senado.
“Vamos continuar até que o impeachment seja pautado”, finalizou.

