Izalci Lucas reforça que oposição votará contra Jorge Messias e pela derrubada do veto à dosimetria

Senador destacou que o PL já fechou questão sobre o indicado ao STF, e que atuará também para liberar os detidos injustamente pelo 8 de janeiro

Líder da oposição no Congresso Nacional, o senador Izalci Lucas (PL-DF) fez duras críticas ao governo Lula ao discursar no Plenário nesta segunda-feira (27), e detalhou como a oposição atuará em duas frentes cruciais nesta semana no Senado. Primeiro, ao votar nesta quarta-feira (29) contra a indicação de Jorge Messias para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Depois, na quinta-feira (30), atuará para derrubar o veto presidencial à dosimetria, liberando os detidos injustamente pelos atos de 8 de janeiro.

“O PL (Partido Liberal) fechou questão para votar contra a indicação”, afirmou Izalci, ao confirmar que a oposição está trabalhando intensamente para questionar o indicado na sabatina que ocorrerá na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Entre os temas mais sensíveis, estão o de Messias ter sido o “mensageiro” no governo Dilma Rousseff quando ela ofereceu a Lula o cargo de ministro da Casa Civil, além do parecer favorável que ele deu ao aborto junto ao Conselho Federal de Medicina, o que contrasta com sua autodeclaração como evangélico.

Izalci acusou o indicado de ser o primeiro a solicitar ao STF a prisão dos manifestantes de 8 de janeiro, rotulando-os como “terroristas” antes mesmo de qualquer julgamento. ​”Messias terá que explicar muita coisa. Ele foi o mensageiro daquela mensagem do Lula. Ele é o mesmo que pediu ao Supremo a prisão dos manifestantes, falando de boca cheia para condenar pessoas sem o devido processo”, criticou o senador.

Sobre a dosimetria, Izalci lembrou que o projeto de lei busca estabelecer critérios mais proporcionais para as penas aplicadas aos envolvidos nos eventos de janeiro de 2023. O senador foi membro ativo da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o tema e reiterou sua convicção de que não houve tentativa de golpe, baseando-se em seu relatório de mais de 500 páginas. “Não houve golpe nenhum. Isso é narrativa”, alertou.

O senador destacou que o próprio ministro da Defesa do governo Lula admitiu que não houve golpe por falta de apoio das Forças Armadas. O senador defende que as punições atuais são fruto de “vingança política” e não de justiça, e que a derrubada do veto é essencial para corrigir injustiças contra cidadãos que, em muitos casos, estavam desarmados ou foram vítimas de omissão do plano de segurança.

Ele reforçou que o governo federal teria sido alertado sobre os riscos cinco dias antes do ocorrido, mas ainda assim, nada fez. “As pessoas que estão presas não podem mais esperar. Isso não foi justiça, foi vingança. Nossa luta é para que quem foi preso injustamente tenha sua vida devolvida”, reforçou Izalci.