Izalci Lucas defende prorrogação da CPMI do INSS e aponta lobby bancário como entrave às investigações
Senador destacou que o volume de recursos desviados de aposentados em esquemas de crédito consignado é bilionário e criticou o excesso de habeas corpus que esvazia os depoimentos
O senador Izalci Lucas (PL-DF) reafirmou, nesta quinta-feira (19), a necessidade urgente da prorrogação dos trabalhos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. Na avaliação do senador, a resistência política da base do governo e do “Centrão”, e o forte lobby do setor bancário dentro do Congresso Nacional, têm sido os principais obstáculos para o avanço das oitivas e das investigações.
Para Izalci, o depoimento do CEO do banco C6, Artur Azevedo, nesta quinta-feira (19), que compareceu após tentativas frustradas de evitar a convocação por meio da Justiça, é apenas a “ponta do iceberg”. “O C6 tentou o habeas corpus e não conseguiu, por isso veio hoje. Mas o lobby dos bancos aqui é muito grande. Dificilmente conseguiremos trazer as outras instituições”, alertou o senador.
Entre as irregularidades da C6 apontadas pelo senador estão: contratos sem biometria, facilitando fraudes e assinaturas falsas; venda casada, com inclusão indevida de seguros e “clubes de benefícios” em empréstimos; e descontos abusivos, tendo casos em que, de um empréstimo de R$ 2.000, cerca de R$ 500 são retidos imediatamente para taxas proibidas por lei. “Milhões de contratos fraudulentos”, informou.
O senador chamou a atenção para o que classificou como uma “roubalheira” contra os aposentados brasileiros. De acordo com Izalci, o volume de desvio de recursos no setor de crédito consignado supera as expectativas iniciais da comissão, envolvendo cifras bilionárias e milhões de contratos sob suspeita.
Izalci Lucas explicou que há uma ação em curso no STF, sob relatoria do ministro André Mendonça, solicitando a continuidade da CPMI. Na sua avaliação, sem a prorrogação, requerimentos importantes já aprovados, como as convocações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e do ex-presidente da instituição, Roberto Campos Neto, podem ficar sem efeito.”Se depender apenas do Congresso, a CPMI não será prorrogada. Precisamos da decisão judicial para identificar os responsáveis”, pontuou.
Questionado sobre a possível presença de figuras ligadas ao cenário político e empresarial, o senador demonstrou ceticismo quanto ao comparecimento voluntário, criticando a facilidade com que o STF tem concedido salvo-condutos. “Muitos têm conseguido o habeas corpus para não vir. Se houver a prorrogação, queremos ouvir todos: do setor bancário aos nomes envolvidos em quebras de sigilo. O interesse público deve prevalecer sobre o lobby”, finalizou o senador.

