Izalci Lucas defende políticas públicas de Estado para estruturar e fortalecer o Terceiro Setor no DF

Na avaliação do senador, o trabalho das organizações da sociedade civil não pode depender de ações governamentais isoladas ou de caridade pontual

Para fortalecer o Terceiro Setor no Distrito Federal, o senador Izalci Lucas (PL-DF) defendeu a urgência de se criar uma política pública robusta, estruturada e de longo prazo na área. A declaração ocorreu nesta segunda-feira (18), no Itapoã, durante a segunda edição do circuito “Bate-Papo 3° Setor”, um fórum para discutir novas diretrizes governamentais e consolidar uma rede de apoio social descentralizada na capital.

Na avaliação de Izalci, o trabalho das organizações da sociedade civil não pode depender de ações governamentais isoladas ou de caridade pontual; deve ser tratado como um braço estratégico e oficial do Estado. “O projeto social tem que se transformar em política pública para ter escala, estabilidade e mudar vidas de verdade. E o caminho para garantir isso é através da política feita com responsabilidade”, afirmou o senador.

Para ilustrar como iniciativas do Terceiro Setor podem e devem ditar políticas públicas oficiais, Izalci relembrou sua própria trajetória no final da década de 1990 com a criação da Associação Brasileira para a Educação de Qualidade (ABEDUQ). À frente da organização, ele idealizou o projeto “Cheque-Educação”, que batia de porta em porta em faculdades particulares para negociar bolsas de estudo em vagas ociosas pela metade do preço, beneficiando mais de 100 mil alunos.

Isso serviu de base direta para que, anos mais tarde, em 2004, o governo federal implementasse o Programa Universidade para Todos (ProUni). “Nós provamos na prática que o Terceiro Setor resolve gargalos que o Estado não consegue suprir. O ProUni nasceu dessa experiência. É esse modelo de transformação que queremos consolidar no DF”, explicou.

O ponto alto do debate sobre políticas públicas foi a proposta do senador de descentralizar a máquina pública e criar uma Secretaria de Estado voltada exclusivamente ao Terceiro Setor no DF, além do Fundo Nacional do Terceiro Setor (Funats), projeto defendido por ele para subsidiar recursos e facilitar a execução de projetos.

Izalci criticou a atual barreira burocrática para implementar as iniciativas, que inclui altas taxas cartoriais e exigências jurídicas complexas, para muitas vezes impedir o nascimento de associações legítimas nas comunidades. “O Terceiro Setor chega onde o governo não chega, e chega com o diferencial do acolhimento e do amor. O papel do Estado não é atrapalhar com burocracia, mas sim dar o suporte financeiro e jurídico para que esse trabalho aconteça”, pontuou o senador.

O circuito “Bate-Papo 3° Setor” seguirá seu cronograma por mais oito regiões administrativas do DF ao longo de 2026, coletando demandas reais para a construção de um plano de metas que coloque as entidades sociais no orçamento e no planejamento estratégico definitivo do Distrito Federal.