Izalci Lucas defende CPMI para investigar Banco Master: “Se o Senado não reagir, é melhor fechar o Congresso”
Para o Senador, há indícios de interferência do STF que precisam ser apurados
O Senador Izalci Lucas (PL-DF) subiu o tom contra a omissão do Poder Legislativo diante de sucessivos escândalos envolvendo o Judiciário e o setor financeiro. Em entrevista nesta quarta-feira (7) ao canal Radar Auriverde Brasil, defendeu a abertura de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) ainda no início de fevereiro, para investigar o Banco Master e as supostas conexões de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) com a instituição. “Se o Senado não reagir, é melhor fechar o Congresso”, disparou.
Izalci destacou contratos que considera “absurdos”, citando valores que chegariam a R$ 129 milhões em prestações de serviços sem clareza. Nesse ponto, mencionou especificamente suspeitas envolvendo o ministro do STF Alexandre de Moraes e sua esposa, além dos indícios de interferência indevida junto ao Banco Central, o que comprometeria a autonomia da autoridade monetária e a estabilidade do sistema financeiro nacional.
Ao longo da entrevista, Izalci relatou episódios de frustração no trabalho parlamentar, citando que investigações em curso, como a CPMI do INSS, sofrem constantes reveses por decisões judiciais. Ele lembrou que o ministro do STF José Antônio Dias Toffoli chegou a mandar recolher materiais de quebras de sigilo aprovadas pelo Congresso Nacional, envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
“Mesmo abrindo a CPMI do Banco Master, o que vai acontecer é que o Supremo, provavelmente, não vai disponibilizar ou liberar os trabalhos”, alertou Izalci. “A Constituição está clara: nós temos poder de investigação igual ao do Judiciário, mas essas interferências indevidas comprometem o resultado”, explicou.
Para o Senador, o atual cenário de “intromissão”, que incluiria até o Tribunal de Contas da União (TCU) sobre o Banco Central, exige uma postura de enfrentamento por parte do Senado. Ele também alertou para a existência de campanhas financiadas para descredibilizar o Banco Central por meio de influenciadores digitais.
Por fim, defendeu a necessidade de afastar ministros do STF que “extrapolaram todos os limites”, criticou a falta de voz dos congressistas e a judicialização de todas as leis. “Com as eleições de 2026, que possamos ter um Senado mais independente, que possa fazer o contraponto com os outros poderes”, ressaltou.

