Izalci Lucas critica término da CPMI do INSS e garante que relatório será entregue às autoridades

Para o senador, o documento tem comprovação robusta da “roubalheira” aos aposentados e pensionistas

Para impedir a blindagem aos “tubarões” da corrupção, o senador Izalci Lucas (PL-DF) anunciou no Plenário do Senado, nesta segunda-feira (30), que o relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, que comprova a “roubalheira” aos aposentados e pensionistas, será entregue formalmente à Polícia Federal (PF), a Procuradoria-Geral da República (PGR) e ao Ministério Público Federal (MPF).

“Nós vamos, imediatamente, entregar para o Ministério Público, para a Polícia Federal e para os demais órgãos de fiscalização a cópia do relatório, mesmo que não tenha sido aprovado. A documentação nos autos é uma comprovação robusta. Vamos mostrar ao procurador que ele pode indiciar, independentemente do relatório ter sido aprovado ou não, porque tem provas mais que suficientes para fazer isso”, afirmou o senador.

A decisão ocorreu após a base governista conseguir rejeitar o texto no colegiado, manobra que foi recebida com indignação pelo senador. Izalci destacou que, embora a comissão tenha terminado com um resultado “melancólico” devido à articulação política, o conjunto de provas acumulado é inquestionável e suficiente para que a justiça seja feita pelas vias criminais.

O senador também criticou a postura dos governistas que celebraram a derrota do relatório final. Para Izalci, a comemoração expõe quem realmente está comprometido com a impunidade dos responsáveis pelo roubo. “Eu não sei a cara de pau dos deputados e senadores da base comemorando quando derrotaram o relatório da CPMI. Não queriam que a gente pudesse expor, realmente, os ladrões de fato, os tubarões da roubalheira do INSS”, disparou.

Izalci ainda alertou sobre a interferência do Supremo Tribunal Federal (STF) no andamento dos trabalhos da comissão, como nas decisões que permitiram ausências em oitivas e comprometeram a coleta de informações, e cobrou explicações sobre os contratos milionários que envolvem familiares de ministros da Suprema Corte, como o de R$ 129 milhões entre o Banco Master e a esposa do ministro Alexandre de Moraes. “Por que não prorrogaram a CPMI? Porque contrariava os interesses, inclusive, dos próprios ministros do Supremo”, avaliou.

Apesar disso, Izalci Lucas reforçou que o objetivo principal da CPMI foi atingido: tirar das sombras o modus operandi dos desvios no INSS. “Valeu a pena, porque ficou claro quem é que está comprometido, realmente, com essa roubalheira toda. O objetivo também é dar transparência e legislar para impedir que fatos como esse continuem acontecendo. Nós não vamos desistir”, garantiu o senador.