Izalci Lucas critica omissão do Senado sobre impeachment de ministros do STF: “Falta vergonha na cara”

Para o senador, a Casa falha em não tomar uma atitude contra os excessos de ministros como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli

Em entrevista concedida nesta quinta-feira (19) ao programa Tarde Bandnews, o senador Izalci Lucas (PL-DF) criticou a omissão do Senado Federal diante das condutas de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Questionado sobre o que impediria a Casa de dar o “pontapé inicial” em processos de impeachment de magistrados como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, Izalci respondeu de forma direta: “Falta vergonha na cara”.

Para Izalci, o Senado Federal é a única instituição com prerrogativa constitucional para agir nesses casos, mas tem falhado em cumprir seu papel de fiscalização. “Os senadores precisam tomar uma atitude. Agora é impeachment, não tem jeito. Tem que caçar o mandado mesmo e, depois, mudar a legislação”, declarou o senador, ao pontuar o atual desequilíbrio entre os poderes e que a inércia parlamentar permite que excessos do STF continuem sem freios.

Além do impeachment, também defendeu mudanças estruturais na Corte, como o fim do mandato vitalício e a adoção de critérios mais técnicos para a escolha de ministros. Ele criticou a proximidade de alguns magistrados com partidos políticos e mencionou reportagens recentes sobre o volume de processos de escritórios de familiares de ministros que tramitam nos tribunais superiores.

“Ministro do Supremo não deveria estar preocupado com quebra de sigilo. Eles deveriam ser muito mais transparentes, para que a população volte a respeitá-los”, afirmou o senador, reforçando que a solução para a crise institucional passa obrigatoriamente por uma postura mais firme do Senado.

A fala ocorreu em meio a discussões sobre investigações envolvendo o Banco Master e supostos vazamentos de dados na Receita Federal que teriam atingido ministros do STF. Izalci demonstrou indignação com medidas cautelares impostas aos servidores da Receita envolvidos nas investigações, como uso de tornozeleira eletrônica e apreensão de passaportes, sem o que ele considera uma apuração administrativa prévia adequada.

O senador informou que protocolou pedidos de audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) para ouvir auditores e representantes da Receita Federal, buscando esclarecer o papel do STF nessas ações e o que ele define como “extrapolação de limites” por parte dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.