Izalci cobra esclarecimentos sobre prejuízo bilionário do BRB na CAE

postado em: novembro 25, 2025por:

Em audiência com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, Senador questiona falhas de fiscalização, operações envolvendo fintechs e possíveis prejuízos bilionários relacionados ao caso Banco Master.

 

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado realizou, nesta terça-feira (25), uma audiência pública interativa com a participação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e do presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Ricardo Saadi, para esclarecer o termo de compromisso firmado entre o BC e seu ex-presidente, além de discutir o uso das chamadas “contas-ônibus” por fintechs.

O Senador Izalci Lucas defendeu a convocação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para tratar do caso envolvendo o Banco Master, apontando falhas de fiscalização e possíveis riscos sistêmicos.

Não tem lógica o que está acontecendo sem a CVM participar disso. Há muitas falhas, inclusive na auditoria. Como contador, fico indignado ao ver operações desse porte lastreadas por títulos sem valor real”. – afirmou.

Izalci questionou diretamente Gabriel Galípolo sobre as operações do BRB, que teria investido pelo menos R$ 12 bilhões — podendo chegar a R$ 16 bilhões — em ativos considerados sem garantias sólidas, os chamados “títulos podres”. Segundo o senador, há indícios de que parte das carteiras analisadas apresentava documentação insuficiente, imóveis superfaturados e garantias frágeis. Ele também mencionou relatos de investimentos realizados mesmo após negativa do Banco Central.

O presidente do BC explicou que, ao identificar inconsistências, a área técnica iniciou testes e apurações próprias, o que resultou na comunicação ao Ministério Público e posterior abertura de investigação pela Polícia Federal.

Além do caso Master, Izalci alertou para o uso de fintechs em operações ilícitas, citando investigações recentes:

“Na CPI das Bets e agora na do INSS vimos bilhões sendo enviados ao exterior por fintechs sem controle adequado. É preciso enfrentar o que está acontecendo”. – disse.

Galípolo reconheceu o problema e defendeu mudanças no arcabouço regulatório, reforçando que o Banco Central precisa de mais instrumentos legais e tecnológicos — especialmente diante da expansão de novos agentes financeiros.

O debate seguirá na comissão, que aguarda informações adicionais solicitadas ao Banco Central e estuda novas convocações, incluindo a CVM, como sugerido por Izalci.