Ex-diretor do INSS admite repasses milionários e é confrontado por Izalci Lucas na CPMI sobre fraudes bilionárias
Em depoimento à CPMI do INSS, Alexandre Guimarães confirmou pagamentos de empresa ligada ao “Careca do INSS”, mas negou envolvimento no esquema.
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS ouviu, nesta segunda-feira (27), o ex-diretor de Governança, Planejamento e Inovação do Instituto Nacional do Seguro Social, Alexandre Guimarães, suspeito de envolvimento em um dos maiores esquemas de fraudes previdenciárias do país. O depoimento foi convocado a partir de requerimento apresentado pelo Senador Izalci Lucas.
Durante a oitiva, Guimarães admitiu ter recebido cerca de R$ 2 milhões por meio da empresa Brasília Consultoria, de propriedade de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, apontado como operador financeiro do esquema. Segundo ele, os valores seriam referentes à prestação de serviços de “educação financeira” contratados por sua empresa, a Vênus Consultoria.
O ex-diretor afirmou que desconhecia qualquer ligação de Careca com o INSS e disse ter tomado conhecimento das fraudes apenas após a deflagração da operação da Polícia Federal. Ele também confirmou que o operador realizou transferências diretas para sua conta pessoal, somando mais de R$ 2,6 milhões entre 2024 e 2025.
O Senador Izalci apontou semelhanças entre o caso e outros investigados pela CPMI.
“O modus operandi é exatamente o mesmo. Criam empresas, firmam convênios e lavam recursos públicos. Nenhuma dessas ações teve como objetivo beneficiar aposentados ou pensionistas. Foram criadas para beneficiar os próprios envolvidos”. – afirmou Izalci.
O parlamentar também questionou a relação de Guimarães com Rubens Oliveira, apontado como administrador da Vênus Consultoria e ligado a Thaís Vigílio, esposa de Virgílio Souza, outro investigado. Segundo Izalci, os mesmos nomes e empresas aparecem em diferentes núcleos do esquema, o que reforça a existência de uma estrutura organizada de fraudes.
Apesar de negar envolvimento direto, Guimarães reconheceu que sua empresa foi usada em operações financeiras com empresas ligadas ao “Careca do INSS”. Ele também admitiu que o contador da Vênus foi indicado por Rubens Oliveira, o que reforça os vínculos entre os investigados.
Questionado sobre o papel da diretoria de Governança do INSS — área sob sua responsabilidade —, Guimarães alegou não ter atribuições ligadas à gestão de benefícios, setor onde ocorreram os principais desvios identificados pela CPMI.
A CPMI do INSS prossegue com oitivas, quebras de sigilo bancário e fiscal de pessoas e empresas citadas nos depoimentos. O objetivo é aprofundar as investigações sobre os fluxos financeiros e as ligações entre operadores e ex-gestores do INSS apontados como participantes do esquema de fraudes bilionárias.

