Izalci Lucas alerta sobre prejuízos à população com acordo do BRB e cobra punição dos culpados

Senador criticou o uso de recursos públicos para cobrir rombo bilionário estimado em R$ 8,8 bilhões e pediu o bloqueio imediato dos bens dos envolvidos nas fraudes

O senador Izalci Lucas (PL-DF) manifestou forte preocupação com os desdobramentos do escândalo financeiro envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master. Izalci criticou o fato de que a conta do rombo, estimado oficialmente em R$ 8,8 bilhões, acabará sendo paga pela população brasiliense, já que o Governo do Distrito Federal (GDF) contraiu um empréstimo de 15 anos para capitalizar a instituição, comprometendo o orçamento de futuras gestões e reduzindo a capacidade de investimento em áreas essenciais.

“O banco foi salvo, mas quem está pagando essa conta é a população. O GDF contraiu um empréstimo e vai capitalizar o BRB para cobrir esse prejuízo. Isso inviabiliza qualquer gestão futura e prejudica áreas que já estão em situação caótica, como a saúde. Na medida em que se utiliza dinheiro dos impostos e do Fundo de Participação dos Estados e Municípios para salvar o banco, comprometem-se os serviços públicos e penaliza-se o cidadão”, lamentou.

Para Izalci, o plano de socorro financeiro aprovado fere frontalmente a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que proíbe governantes de contraírem despesas para serem pagas por seus sucessores. O senador alertou que a população do DF sentirá o impacto direto nos serviços públicos, já que o acordo impõe restrições severas pelos próximos anos, incluindo a proibição de novos concursos públicos e de reajustes salariais para os servidores. Áreas que já enfrentam graves crises, como a segurança pública, que perde anualmente mais de mil policiais para a reserva sem reposição, serão duramente afetadas.

O senador defendeu, ainda, que o foco prioritário deve ser a recuperação do dinheiro desviado e a responsabilização criminal dos envolvidos na fraude. Durante a audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), realizada na terça-feira (9), quando o atual presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, foi ouvido pelos senadores, Izalci questionou a demora na adoção de medidas judiciais contra os antigos gestores e operadores do esquema ilegal.

“O que nós não gostaríamos é que essa conta fosse paga pelo contribuinte. É preciso correr atrás de quem roubou, responsabilizar os maus gestores, porque foi uma fraude intencional. Eles sabiam o que estavam fazendo”, alertou o senador. “Perguntei [ao presidente do BRB] se já houve busca e apreensão ou bloqueio de bens de alguém, e ainda não houve. Isso já deveria ter acontecido há muito tempo, porque, daqui a pouco, eles vendem tudo, e não vai sobrar nada para ressarcir o Estado”, cobrou Izalci.