“O que fizeram foi blindar para não chegarmos nos tubarões”, alerta Izalci Lucas sobre o fim da CPMI do INSS

Apesar do término, senador destacou que a comissão foi vitoriosa ao dar transparência ao caso e expôs o “modus operandi” das organizações criminosas

O senador Izalci Lucas (PL-DF) criticou duramente o fim da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Para o senador, houve uma ação coordenada entre o Governo Federal e a Corte para proteger os principais articuladores do esquema que lesou aposentados e pensionistas em todo o país. “O que eles fizeram, na prática, foi blindar para não chegarmos nos tubarões, nos principais ladrões da Previdência”, alertou o senador.

Apesar do fim precoce, o senador destacou que a comissão foi vitoriosa ao dar transparência ao caso e expôs o “modus operandi” das organizações criminosas. Até o momento, 14 pessoas foram presas, incluindo nomes centrais como Antônio Carlos Camilo Antunes, mais conhecido como “Careca do INSS”, e o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto. Entretanto, Izalci ressaltou que a investigação foi travada antes de se aprofundar no rombo dos empréstimos consignados, que pode envolver mais de 80 bancos.

O senador também denunciou uma “blindagem completa” por parte de ministros do STF, que concederam habeas corpus para que testemunhas-chave não prestassem depoimento. Ele também apontou conflitos de interesse graves, mencionando que instituições investigadas possuem laços de parentesco com autoridades do governo, citando o irmão do presidente Lula, o Frei Chico – que de frei não tem nada -, no Sindnapi. “Eles sequer poderiam ter acordo de cooperação assinado”, afirmou.

Izalci relembrou ainda a frustração por não conseguir convocar figuras ligadas ao repasse indevido de recursos. Entre eles, o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente da República, mesmo com evidências de que despesas pessoais dele foram custeadas pelo esquema. O senador explicou que, quando o governo percebeu que perderia o controle da comissão, desarticulou blocos partidários para retirar a maioria da oposição e barrar a aprovação de novos requerimentos.

Apesar do fim da CPMI, Izalci Lucas garantiu que o trabalho não será interrompido. O senador informou que enviará todas as provas para a Polícia Federal e para o Ministério Público. “A nossa esperança é que as investigações conduzidas pelo ministro André Mendonça, do STF, e pela Polícia Federal deem andamento a tudo isso e coloquem essa turma na cadeia”, disse o senador, reforçando o compromisso de apresentar projetos de lei para endurecer a legislação e inibir novos golpes contra os aposentados e pensionistas.