Izalci Lucas denuncia tratamento “desumano” dado a Bolsonaro após visita à PF

Senador faz apelo ao Congresso Nacional pela prisão domiciliar do ex-presidente

Em entrevista concedida nesta quarta-feira (7) ao canal Radar Auriverde Brasil, o Senador Izalci Lucas (PL-DF) classificou como “perseguição pessoal” e “vingança” do Judiciário contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. As declarações ocorreram após Izalci realizar uma visita oficial à sede da Polícia Federal (PF) para fiscalizar as condições de detenção e garantia dos direitos fundamentais à Bolsonaro. “É um tratamento desumano. O que está acontecendo hoje é algo absurdo”, alertou.

Izalci relatou profunda preocupação com a integridade física de Bolsonaro, especialmente após um recente acidente ocorrido na cela na noite desta terça-feira (6). Para o Senador, houve dificuldades impostas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes para a realização de exames médicos essenciais. “Do jeito que está acontecendo hoje, o risco de morte é muito grande. Eu fico preocupado pela forma como eles estão tratando o presidente”, advertiu.

O Senador comparou a situação atual com as prisões de outros ex-presidentes, como Lula e Michel Temer, afirmando que o tratamento dispensado a Bolsonaro foge ao padrão de humanidade e legalidade aplicado anteriormente. “Ninguém quer privilégios, o que precisa é que haja um tratamento humanitário”, afirmou. “Esse comportamento do ministro Alexandre é algo que a gente não consegue entender, pela lógica humanitária. Há uma perseguição muito forte, um desejo de vingança, um ódio muito grande”, ponderou.

Mesmo durante o recesso parlamentar, Izalci Lucas confirmou que uma frente de deputados federais e senadores está em ação para buscar medidas corretivas contra a situação. Uma delas é coletando assinaturas dos políticos para protocolar um pedido formal de prisão domiciliar de Bolsonaro junto ao STF. “Esperamos pegar muitas assinaturas para pressionar o Supremo”, revelou.

Ainda assim, o Senador defende que o afastamento de ministros do STF que “extrapolaram todos os limites” é o caminho para a normalidade democrática. Ele reconhece, contudo, o desafio aritmético: são necessários 41 votos para abrir um processo de impeachment e 54 para o afastamento definitivo.

Por isso, Izalci pretende intensificar a articulação política assim que as atividades do Congresso Nacional forem retomadas integralmente em fevereiro. Para ele, o caso transcende a figura de Bolsonaro e atinge a própria lógica do Estado de Direito no Brasil. “O Senado precisa se reunir e cumprir seu papel fiscalizador”, concluiu.