Izalci Lucas defende impeachment de Moraes após novas denúncias com o Banco Master: “Perderam o limite”

Para o Senador, cenário pode quebrar a resistência no Senado sobre o assunto

“O clima de impunidade é tamanho que perderam o limite”, declarou o Senador Izalci Lucas (PL-DF) sobre a situação do Poder Judiciário no país. Em entrevista ao podcast de Claudio Dantas nesta terça-feira (23), Izalci defendeu a abertura de processo de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, citando o impacto das recentes denúncias que envolvem contratos milionários e relações extraoficiais com instituições financeiras e o Banco Central.

O Senador destacou a gravidade das informações sobre contratos firmados entre familiares do ministro com o Banco Master, que chegariam a R$ 3,6 milhões por mês e R$ 130 milhões no total, em um cenário que descreve como “tão gritante que não faz sentido”. Para Izalci, o caso é um ponto de inflexão que pode quebrar a resistência no Senado. “Acho que podemos, nesse caso específico, ter chance de algum pedido de impeachment”, avaliou.

Izalci também repercutiu a reportagem desta terça-feira da jornalista Malu Gaspar (O Globo) sobre os contatos frequentes e fora da agenda entre Moraes e a cúpula do Banco Central. Ele ainda criticou o corporativismo no Supremo Tribunal Federal (STF), mencionando declarações do ministro do STF, Gilmar Mendes, que minimizam a necessidade de um Código de Ética para a Corte.

“Eles perderam realmente esse limite de moralidade. Não só o Supremo, como vários do Judiciário. Quando se vê o ministro Gilmar dizendo que confia muito no Toffoli e no Alexandre, é porque ele sempre teve lá atrás esses patrocínios e esses encontros em Portugal”, disparou o Senador.

Desafio

Reconhecendo o desafio por votos no Senado, Izalci Lucas explicou que, embora existam hoje cerca de 26 senadores com total autonomia e independência, são necessários 54 votos para afastar um ministro. No entanto, ele acredita que o racha interno no próprio STF pode mudar o cenário. “O clima no Supremo já não é mais de unanimidade, com ministros que já começaram a ficar incomodados com tudo isso, então isso ameniza bastante”.

O Senador ainda confirmou que já existem assinaturas para a instalação da “CPI da Toga” e, com isso, “separar o joio do trigo” no Judiciário. Izalci também questionou se o Procurador-Geral da República (PGR), Paulo Gonet, agirá com imparcialidade diante das provas contra Moraes. “Não é possível que não vão fazer nada com o Alexandre”, ponderou.

Por fim, o Senador refletiu sobre a imagem do Poder Judiciário frente à população. “Se perderem a confiança na justiça, como faz? Na democracia, a justiça é fundamental. O Alexandre vai pagar feio, porque o que se faz aqui, se paga aqui”, concluiu.

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