Izalci Lucas cobra transparência sobre gestão e operações do BRB em audiência na CAE
Senador questionou o presidente do Banco de Brasília sobre os riscos e impactos financeiros das operações com o Banco Master, após revelação de possíveis perdas de R$ 8,8 bilhões
O senador Izalci Lucas (PL-DF) questionou o atual presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, sobre a saúde financeira da instituição e a gestão dos recursos públicos do Distrito Federal, durante a audiência pública da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, realizada nesta terça-feira (9). Na ocasião, Izalci criticou a falta de transparência sobre a operação de empréstimo de R$ 6,6 bilhões a ser concedido pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para “salvar” o banco e os riscos assumidos em transações de longo prazo.
“O GDF está assumindo uma dívida, um empréstimo, que nós vamos pagar em 15 anos. Quer dizer, que a população do Distrito Federal vai pagar. A população que já não tem saúde, não tem educação, não tem segurança, e agora ainda vai ficar 15 anos com esse problema”, alertou Izalci, que com a dificuldade orçamentária enfrentada pelo DF, ponderou: “Dá para pagar essa dívida, realmente?”.
Nelson de Souza, que assumiu a presidência do BRB dias após a liquidação do Master, admitiu durante a sessão que a instituição registrou “possíveis perdas” de R$ 8,8 bilhões após analisar a carteira de crédito adquirida do Banco Master, mas não apresentou o balanço financeiro da instituição, alegando sigilo.
O presidente do BRB também explicou que as parcelas do empréstimo deverão começar a ser pagas em 2028, em valores próximos de R$ 95,6 milhões por mês. Segundo ele, o plano de negócios prevê que o banco ainda absorva os impactos das carteiras adquiridas do Master ao longo de 2026, mas volte a registrar lucro a partir de 2027.
Para Izalci, o resultado desse acordo de empréstimo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) é “totalmente irreal” e fere as regras de responsabilidade fiscal, comprometendo as contas dos próximos governos do Distrito Federal. ”Foi comprometido 16% da receita corrente líquida, ou seja, R$ 6,6 bilhões, lembrando que a garantia é o Fundo de Participação de Estados e Municípios, ou seja, compromete a saúde, a educação, a segurança”, destacou.
Izalci reiterou que, como contador e senador, continuará atuando na fiscalização rigorosa, cobrando que o banco priorize a solidez financeira e o interesse dos correntistas e dos brasilienses em vez de apostar em operações de alto risco e duvidosa liquidez.

